MISSÕES EM SÃO FRANCISCO DE PAULA (MG)

Foram convidados mais de cinquenta jovens ligados à Comunidade Missionária Villaregia, com sede em Belo Horizonte.

Na última semana, entre os dias 04 e 11 de janeiro, a Paróquia São Francisco de Paula (MG) promoveu uma grande missão com vistas ao reavivamento de suas comunidades. Foram convidados mais de cinquenta jovens ligados à Comunidade
Missionária Villaregia, com sede em Belo Horizonte. A organização desta missão já havia sido iniciada há meses, com as frequentes correspondências entre o pároco, Pe. Sebastião Corrêa, e o Diácono Orélio de Lima, representantes da paróquia, e os consagrados da Comunidade Villaregia, Pe. Siro Opportuni, Roberta Parigi e Marilene Ribeiro.

O principal objetivo desta missão foi visitar, ouvir, conhecer e rezar com os moradores da cidade; todos os bairros foram visitados e, excetuando as residências encontradas fechadas, não houve uma que não fosse contemplada pelas visitas. Esta
missão responde ao apelo do saudoso Papa Francisco:

“Naquele ide de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova saída missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.” (EVANGELII GAUDIUM, 20).

Mais do que apenas fazer uma visita formal, ler mecanicamente algumas passagens da Bíblia, rezar alguns textos decorados ou fazer convites, o missionário deseja ser portador da alegria do Evangelho e testemunhar, pela própria vida, a força transformadora de um encontro pessoal e verdadeiro com Jesus Cristo. Encontro este que não nos deixa parados, mas que se torna um divisor de águas em nossa história. Tendo-nos encontrado com este dom, não podemos guardá-lo somente para nós, mas sentimos a necessidade de apresentá-lo àqueles que ainda não o conhecem.

O testemunho de jovens que deixam suas cidades, suas famílias, suas férias escolares, partindo para uma comunidade desconhecida, doando seu tempo e seus esforços pelo anúncio do Evangelho, revela o rosto de uma igreja sempre jovem, que
não está trancada em sacristias esperando que as pessoas venham procurar os seus serviços. Como o pregador de Nazaré, ela se coloca a caminho, nas estradas por vezes cheias de lama e poeira do mundo.

Lucas Melo Paiva, de 17 anos, natural de Belo Horizonte, relata:
“Foi a minha primeira missão, e a Missão de Férias acabou sendo um momento de muito aprendizado e de encontro com Deus, bem além do que eu imaginava. Desde o começo, foi uma experiência muito especial, não só pelas visitas, mas pela troca real com a cidade que nos recebeu com tanto carinho, e também entre nós, que estávamos vivendo tudo juntos. A convivência com as duplas e com o pessoal da missão me marcou muito, principalmente porque eu não conhecia muita gente. Levar a Palavra foi muito importante para mim, assim como os momentos simples de conversa, risada e partilha com as famílias, que nos fizeram sentir em casa. No fim, percebi que eu nem fazia ideia do quanto precisava viver essa experiência.”

Muito bonita também é a experiência dos jovens que deixaram seus países, suas culturas, e se arriscaram a anunciar o Evangelho em terras distantes, enfrentando os desafios das diferenças do idioma e dos costumes. Uma das missionárias envolvidas, de origem ebúrnea, nos conta sua experiência:
“Meu nome é Marie Hélène Aneye, tenho 30 anos e venho da Costa do Marfim (África Ocidental). Sou missionária consagrada da Comunidade Missionária de Villaregia há 8 anos. Desde pequena, sempre fui atraída pela ajuda aos outros e pela
questão da injustiça. Por isso, fiz formação em Direito. Mas, aos 18 anos, em 2013, meus primos me convidaram para participar de uma atividade organizada pelos missionários de Villaregia. Essa atividade, que durou uma semana, mudou a minha vida.


Foi uma experiência na qual senti o amor de Deus por mim e, ao mesmo tempo, descobri que o mundo não se limitava apenas à Costa do Marfim, mas que era muito maior. Durante essa semana de atividades missionárias com a comunidade, aprendi muito sobre as missões e sobre as realidades onde a comunidade está presente. Senti fortemente em meu coração que esse amor não poderia ficar somente comigo, no meu país, e que eu queria anunciá-lo fora dele — mas não sozinha, e sim com irmãos e irmãs de comunidade. Ao encontrar a comunidade, encontrei Deus, encontrei a mim mesma, encontrei irmãos e irmãs de caminhada e, sobretudo, encontrei a minha vocação missionária, porque não podemos calar aquilo que vimos e ouvimos.”


Além das visitas, os jovens também organizaram, de segunda a sábado, momentos de brincadeiras com as crianças nos bairros, além de um encontro com adolescentes e jovens. Também foi visitado o asilo e promovido um momento de alegria
e confraternização com os idosos assistidos. A cada dia, a Santa Missa foi celebrada na comunidade em que se realizaram as missões, contando com grande participação das famílias que foram visitadas, inclusive de muitas que há bastante tempo estavam afastadas da vida paroquial.

No domingo, dia 11, Festa do Batismo do Senhor, a missão foi solenemente encerrada na Santa Missa presidida por Dom Antônio Carlos Paiva, bispo coadjutor da Diocese de Oliveira, num sinal de comunhão eclesial e participação comum na vocação de todos os cristãos, ovelhas e pastores, de serem, no mundo, anunciadores do Reino. Este belo trabalho não teria sido possível sem a colaboração preciosa de tantas pessoas, que doaram seu tempo nos mais variados serviços, desde o transporte e a preparação das refeições até aqueles que acolheram os jovens missionários em suas casas e lhes ofereceram um ambiente verdadeiramente familiar.

Por fim, eu mesmo, André Porto, seminarista da Diocese de Oliveira, redator desta matéria, que estive presente durante todos os dias de missão, colaborando com os demais jovens, registro minha gratidão por esta experiência que, com certeza, muito
contribuiu para meu crescimento vocacional e pastoral.

André Henrique Resende Porto, seminarista da Diocese de Oliveira. Natural de Campo Belo, atualmente exercendo seu trabalho pastoral em São Francisco de Paula. Discente do 5° período do curso de Filosofia na PUC Minas.

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