{"id":2612,"date":"2023-08-13T00:05:15","date_gmt":"2023-08-13T03:05:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaconthato.com.br\/?p=2612"},"modified":"2023-10-09T20:51:57","modified_gmt":"2023-10-09T23:51:57","slug":"reflexao-sobre-vida-e-morte-em-um-hospital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaconthato.com.br\/index.php\/2023\/08\/13\/reflexao-sobre-vida-e-morte-em-um-hospital\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Sobre Vida e Morte Em Um Hospital"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>VIDA E MORTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4-1024x702.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2618\" style=\"width:507px;height:347px\" width=\"507\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4-1024x702.jpeg 1024w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4-300x206.jpeg 300w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4-768x527.jpeg 768w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4-1170x803.jpeg 1170w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4-585x401.jpeg 585w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-4.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Donzela e a Morte, de Marianne Stokes.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Vida e morte. Duas palavras antagonistas, mas que andam de m\u00e3os dadas em um ambiente hospitalar. O internato \u00e9 a parte aonde o estudante de medicina lida mais diretamente com a \u00e1rea hospitalar, passando por todos os setores desse local complexo. E ali ele tem o choque entre essas duas realidades. Eu ainda n\u00e3o completei o primeiro quarto desse per\u00edodo de 2 anos, contudo ja tive minhas experi\u00eancias com ambas as situa\u00e7\u00f5es e, nesse interim, vem \u00e0 mente diversas reflex\u00f5es. Ainda me lembro dos primeiros dias no internato de cirurgia, onde fic\u00e1vamos por horas e horas no bloco cir\u00fargico acompanhando diversos procedimentos, desde alguns est\u00e9ticos at\u00e9 cirurgias aonde a vida do paciente dependia de uma interven\u00e7\u00e3o precisa por parte do cirurgi\u00e3o. Nesse mesmo hospital, o bloco cir\u00fargico era dividido entre a cirurgia, ortopedia e tamb\u00e9m a ginecologia e obstetr\u00edcia. Assim, havia um tr\u00e2nsito relativamente constante de gestantes a poucos minutos de dar \u00e0 luz. E que momento m\u00e1gico: lembro-me que nesse momento o ar-condicionado do bloco era desligado momentaneamente, a fim de dar maior conforto aos rec\u00e9m-nascidos: \u201cJ\u00e1 nasceu!\u201d dizia o cirurgi\u00e3o incomodado pelo calor moment\u00e2neo em que a sala se encontrava. E, ap\u00f3s alguns minutos, a crian\u00e7a j\u00e1 passava pelo corredor no colo da pediatra, o ar-condicionado era novamente religado e tudo seguia seu fluxo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para descrever como era m\u00e1gico o momento em que, ao sair do bloco ap\u00f3s uma cirurgia, encontr\u00e1vamos a m\u00e3e amamentando a crian\u00e7a no peito (caso tudo ocorresse bem). A alegria no rosto era contagiante, at\u00e9 mesmo para quem n\u00e3o estava estagiando na obstetr\u00edcia ou na pediatria. Esse era o dia de sair alegre do bloco e desejar mentalmente: \u201cSeja bem-vindo, seja voc\u00ea quem for.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-2-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2616\" style=\"width:471px;height:618px\" width=\"471\" height=\"618\" srcset=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-2-2.jpg 514w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-2-2-228x300.jpg 228w\" sizes=\"(max-width: 471px) 100vw, 471px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Madonna e o menino, de Giovanni Bellini. Maria juntamente com o menino Jesus \u00e9 um exemplo universal da vida e tamb\u00e9m ao nascimento de uma crian\u00e7a.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas, do mesmo jeito que t\u00ednhamos esses momentos de vida, t\u00ednhamos de lidar com momentos de dor. E nesse mesmo hospital, tive tamb\u00e9m minha primeira experi\u00eancia com a morte. Em outro dia de muito trabalho, por volta de 14:00, sofri um acidente com material perfuro cortante, coisa corriqueira em est\u00e1gios onde se encontram acad\u00eamicos. Pelo bom funcionamento do servi\u00e7o e tamb\u00e9m para minha seguran\u00e7a e seguran\u00e7a da paciente, teria de me submeter a uma s\u00e9rie de exames e, para tal, tive de me dirigir ao pronto socorro do hospital para notificar o acidente e tamb\u00e9m colher sangue para exames. Feitos os devidos procedimentos, retornaria ao bloco, haja vista que o ferimento era um pequeno furo, e n\u00e3o me impedia de ajudar em mais alguma coisa. Nesse caminho encontro um senhor, cuja nome n\u00e3o sei e estimo sua idade em volta de 70 anos. Estava bastante debilitado, utilizando diversas sondas, mas dava ainda para sentir sua presen\u00e7a ali, mesmo com todo o aspecto sombrio. Nesse momento, uma das enfermeiras me pede para ajudar a empurrar a maca onde esse senhor estava, pois o mesmo iria para a enfermaria da cl\u00ednica m\u00e9dica e esse translado seria um pouco complicado. Eu, sem titubear, aceitei ajudar e, juntam e, assim, sa\u00edmos do Pronto Atendimento, no t\u00e9rreo, para a enfermaria, no segundo andar. Ao chegar l\u00e1, deixei o senhor e me despedi da enfermeira, que agradeceu com um sorriso e um \u201cObrigado Doutor.\u201d Segui de volta ao Bloco, no terceiro andar. Eram umas 16:00 horas aproximadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminado as cirurgias, por volta de 19:00, desci do bloco para me dirigir a sa\u00edda do hospital, no t\u00e9rreo. E qual n\u00e3o foi minha surpresa ao passar pela enfermaria: vi uma senhora e uma jovem chorando, e uma esp\u00e9cie de caix\u00e3o de alum\u00ednio, pr\u00f3prio para retirar corpos de pessoas falecidas. Apesar de todo o cansa\u00e7o e ainda estar com as roupas do bloco, uma for\u00e7a me puxou at\u00e9 a porta da ala da enfermaria para ver o que estava ocorrendo. E qual n\u00e3o foi minha surpresa: Uma m\u00e9dica acabava de deixar a sala e duas enfermeiras, com luvas nas m\u00e3os, estavam desligando os aparelhos e retirando as sondas e outros equipamentos daquele senhor, que 3 horas antes eu havia ajudado a subir. Devo dizer que, nesse momento, senti a garganta enrolar, como se tivesse um n\u00f3, os olhos acabaram ficando mareados, e eu sai rumo a sa\u00edda, cabisbaixo. Nesse momento, decidi dedicar uma prece aquele senhor, pedindo a Deus e aos bons esp\u00edritos que o recebessem bem no al\u00e9m vida. E, ao iniciar a decida das escadas, uma sensa\u00e7\u00e3o me passou pela cabe\u00e7a: N\u00e3o fique triste por ele. Ele estava sofrendo, agora seu esp\u00edrito est\u00e1 livre e ele n\u00e3o sofre mais. Simplesmente, cumpriu sua miss\u00e3o na terra. Confesso que me senti um pouco melhor ao passar essa sensa\u00e7\u00e3o pela minha cabe\u00e7a. Troquei de roupa, peguei meu carro e segui para a casa. Mas, antes de dormir, dediquei mais uma ora\u00e7\u00e3o pela alma daquele senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo passando, o m\u00e9dico parece ir se acostumando mais, tanto com a vida quanto com a morte. Contudo, tendo de enxergar que nossas vidas s\u00e3o miss\u00f5es: nascemos com um prop\u00f3sito, cumprimos esse prop\u00f3sito e seguimos novamente para o mundo espiritual. E assim gira a roda da vida, ou roda de Samsara para os hindu\u00edstas\/budistas. Depois desse dia, aprendi que, sempre ao lidar com um nascimento ou uma morte, \u00e9 a hora ideal de dedicar uma prece aquela alma que est\u00e1 chegando ou partindo, para que seu caminho seja iluminado, e tamb\u00e9m para sua fam\u00edlia, que pode estar em um momento de pura alegria ou em um momento de dor pela perca. Cabe ao m\u00e9dico curar as doen\u00e7as do corpo, mas tamb\u00e9m acolher com carinho e respeito e, quem sabe, acreditar na cura da alma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-3-794x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2617\" style=\"width:487px;height:628px\" width=\"487\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-3-794x1024.jpg 794w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-3-233x300.jpg 233w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-3-768x991.jpg 768w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-3-585x755.jpg 585w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-3.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 487px) 100vw, 487px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Dia da Morte, de William Adolphe Bouguereau.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-1-923x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2615\" style=\"width:498px;height:552px\" width=\"498\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-1-923x1024.jpeg 923w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-1-270x300.jpeg 270w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-1-768x852.jpeg 768w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-1-585x649.jpeg 585w, https:\/\/revistaconthato.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/FOTO-1.jpeg 961w\" sizes=\"(max-width: 498px) 100vw, 498px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Rafael Felipe Santos Silva<\/strong> tem 29 anos, nascido e criado em Campo Belo-MG e atualmente cursa o 5\u00ba ano de Medicina nas Faculdades Unidas do Norte de Minas \u2013 FUNORTE na cidade de Montes Claros \u2013 MG.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIDA E MORTE Vida e morte. 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